No Brasil, aleitamento
até o sexto mês subiu 45%, segundo pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da
USP
Os benefícios do aleitamento são incontáveis. Além de ser o
primeiro contato efetivo entre mãe e recém-nascido, o leite materno é
considerado uma fonte inesgotável de nutrientes necessários para a saúde e
desenvolvimento da criança. Pondera-se que, por meio da amamentação exclusiva
até o sexto mês de vida, seja possível evitar, pelo menos, 13% das mortes de
crianças com menos de cinco anos no mundo, diminuir os riscos de alergias e
doenças respiratórias, e evitar desnutrição e obesidade infantil.
Uma pesquisa realizada pela Faculdade de Saúde Pública da
Universidade de São Paulo (USP) demonstrou que, entre as décadas de 1990 e
2000, o uso exclusivo de leite materno no país cresceu de 25,7% para 45%.
Contudo, a taxa ainda é inferior ao percentual definido pela Organização
Mundial de Saúde (OMS), que recomenda a ingestão do alimento entre 90% a 100%
das crianças nessa faixa etária. Para incentivar o aleitamento materno, a
partir do dia 1º de agosto é celebrada a Semana Mundial do Aleitamento Materno,
na
qual diversas entidades e associações realizam ações de conscientização sobre a
importância da amamentação.
A nutricionista da associação Dona de Leite, Ludmila Lima, explica que o leite materno é um alimento completo com
todos os nutrientes essenciais para o desenvolvimento e crescimento da criança
e é a única fonte necessária para a hidratação do bebê. “O leite fortalece os
sistemas de defesa e diminui as possibilidades de problemas alérgicos e
respiratórios, protegendo a criança de doenças futuras, como obesidade, pressão
alta, colesterol alto e diabetes. Por ser um alimento de fácil digestão, não
sobrecarrega o intestino e os rins do bebê. Evita diarreia, pneumonia e até
outras infecções como a otite. A mãe pode aproveitar essa fase para eliminar
com mais facilidade o peso extra adquirido na gestação”, pontua.
No
período de aleitamento, é indicado uma dieta equilibrada e bem diversificada
com muitas frutas, verduras e legumes, alimentos integrais e derivados lácteos,
evitando produtos industrializados, bebidas açucaradas e alcoólicas. “A mãe
deve consumir no mínimo dois litros de água por dia, o que contribui para a
produção do leite materno”, explica Ludmila.
Depois dos seis meses, o organismo da criança está preparado para
receber outros alimentos. A nutricionista esclarece que a alimentação
complementar deve ser introduzida de forma lenta e gradual, pois a criança não
está acostumada com o sabor de outros mantimentos. “A nutrição deve ser
saudável e preparada em casa, evitando produtos industrializados. A partir dos
oito meses, incluem-se outros alimentos, desde que bem amassados, desfiados e
em pedaços pequenos”, orienta Ludmila.
A preparação para o período de amamentação deve ser iniciada antes
mesmo de o bebê nascer. Segundo o mastologista e membro da Sociedade Brasileira
de Mastologia – Regional Minas Gerais, Alexandre Barra, a orientação adequada
durante o pré-natal é extremamente importante para conscientizar a mãe sobre os
benefícios do aleitamento materno e evitar complicações acarretados pela ação.
Pesquisas comprovam que a amamentação contribui para a saúde do bebê e diminui
os riscos de câncer de mama. Barra explica que a exposição ao sol por 10 a 15
minutos por dia, a partir do sétimo mês da gravidez, pode evitar problemas nos
mamilos, como fissura. Outro cuidado é o estímulo dos seios, que deve ser
iniciado após o parto. “A mãe deve colocar a criança no peito para estimular a
produção do leite. O leite costuma sair naturalmente a partir do terceiro ou
quarto dia. Não ter a produção adequada nos primeiros dias é normal”,
esclarece.
Em relação aos cuidados durante aleitamento, o mastologista
ressalta que é preciso observar as mamas. Um das complicações mais comuns é o
ingurgitamento mamário, popularmente chamado de leite empedrado. Para prevenir,
é preciso manter o equilíbrio entre o leite produzido e o consumo do bebê. Caso
tenha uma produção maior que a criança precise, as mulheres podem realizar o
esvaziamento mamário através da ordenha manual ou através de bombas de sucção.
Nos Bancos de Leite a mulher recebe orientações adequadas para o tratamento
desta entidade. “Quando o ingurgitamento não é resolvido, geralmente, evolui
para uma mastite, na qual o acúmulo do leite ocasiona inflamação e infecção das
mamas que ficam avermelhadas, quentes e pode haver febre. O tratamento é
realizado por meio de antibióticos. Quando a mastite não é tratada pode evoluir
para o abscesso mamário sendo necessário a drenagem ou mesmo cirurgia”,
esclarece o mastologista. 
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